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makeshortwork.com Calculadora de Álcool no Sangue

Calculadora de Álcool no Sangue

Uma estimativa de Widmark que devolve o que realmente sabe: uma faixa, a curva de eliminação e a informação de que nada disso serve para decidir dirigir.

Nunca use isto para decidir se pode dirigir

Isto é uma estimativa estatística, não uma medição. Duas pessoas do mesmo peso e sexo, bebendo a mesma coisa, podem terminar muito longe uma da outra. Nenhum número desta página diz onde você está de verdade, e nenhum deles é permissão. No Brasil a Lei Seca é tolerância zero: não existe cota liberada, nem "uma cerveja e dirigir". Se bebeu, não dirija.

Você
O que você bebeu
Várias unidades da mesma linha entram juntas, o que empurra o pico para cima e não para baixo — a estimativa erra alto de propósito.

Não serve para decidir dirigir. No Brasil, qualquer álcool no organismo já configura infração.

Álcool no sangue agora — faixa estimada g/L de sangue
Tempo estimado até a estimativa chegar a zero Use o número maior — e depois não trate isso como linha de chegada. Zerar num modelo não é o mesmo que estar apto: sono, ressaca e o efeito residual sobre o tempo de reação duram mais que o álcool.

A curva ao longo do tempo

A faixa sombreada é o intervalo inteiro de valores plausíveis, não uma linha. Ela sobe porque o álcool leva de 30 a 90 minutos para ser absorvido, e desce em linha reta porque o fígado remove uma quantidade praticamente fixa por hora.

O que esta estimativa não enxerga
  • Composição corporal — duas pessoas de 80 kg com percentuais de gordura diferentes têm volumes de distribuição diferentes.
  • A velocidade real com que você bebeu, e se a última dose ainda está no estômago.
  • O que você comeu, quando e quanto.
  • Medicamentos: sedativos, anti-histamínicos, opioides e vários antidepressivos somam prejuízo que o número de alcoolemia não mostra.
  • Genética — variantes de ALDH2 e ADH1B mudam tanto a velocidade de eliminação quanto a intensidade do efeito.
  • Estado do fígado, doença, desidratação, cansaço e tolerância.
  • Gás carbônico, que acelera a absorção, e a dose que o bartender realmente serviu.
Nada desta lista acelera a eliminação

Café, banho frio, exercício, ar fresco, vomitar, energético, comer depois, dormir um pouco. Nenhum deles muda a taxa de eliminação. Todos podem fazer alguém bêbado se sentir mais desperto, o que é pior que inútil ao volante — tira o único sinal que estava mandando parar.

No Brasil não existe "uma cerveja e dirigir"

Esta é a parte que precisa vir antes de qualquer conta. O art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro proíbe dirigir sob influência de álcool. Ele não fixa uma quantidade tolerada, não abre exceção para uma dose, e não trata volume de bebida como atenuante. Desde a Lei 11.705/2008, endurecida pela Lei 12.760/2012, o desenho da regra é de tolerância zero.

O número de 0,05 mg de álcool por litro de ar alveolar que circula por aí não é uma cota. Ele aparece na Resolução 432/2013 do CONTRAN como o valor a partir do qual o etilômetro caracteriza a infração, e existe por um motivo técnico: todo aparelho de medição tem margem de erro, e essa margem é descontada em favor do condutor. É proteção contra falha de equipamento, não autorização para beber. Ler aquilo como "posso tomar uma" é exatamente a interpretação que a lei foi escrita para impedir.

E acima disso a escada sobe rápido. A partir de 0,3 mg/L de ar alveolar — equivalentes a 0,6 grama de álcool por litro de sangue — a conduta deixa de ser infração administrativa e passa a ser crime de trânsito, tipificado no art. 306 do CTB.

O que cada patamar significa na prática

SituaçãoBafômetroSangueConsequência
Qualquer influência de álcool Art. 165: conduta proibida
Infração administrativa 0,05 mg/L 0,2 g/L Gravíssima, multa e suspensão
Crime de trânsito 0,3 mg/L 0,6 g/L Art. 306: detenção de 6 meses a 3 anos
Recusa ao teste Art. 165-A: mesmas penalidades do 165

As penalidades administrativas do art. 165 são infração gravíssima com multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir por doze meses e recolhimento do documento de habilitação. Em caso de reincidência no período de doze meses, a multa é aplicada em dobro. O veículo é retido até a apresentação de condutor habilitado.

O crime do art. 306 tem pena de detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir. E ele não depende exclusivamente do número: o próprio artigo prevê que a alteração da capacidade psicomotora pode ser constatada por sinais — exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou a constatação do agente registrada em termo próprio.

Vale insistir nesse ponto porque ele derruba um raciocínio comum. Ficar abaixo de um número não encerra o assunto: o art. 165 é acionado pela influência do álcool, e o art. 306 admite comprovação por outros meios além do etilômetro.

Recusar o bafômetro não é a saída que parece

Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, e por isso o condutor pode se recusar a soprar. Só que a Lei 12.760/2012 criou o art. 165-A justamente para fechar essa porta no plano administrativo: a recusa é infração autônoma, gravíssima, com as mesmas multa e suspensão de doze meses do art. 165.

Na prática, recusar troca uma prova técnica por uma penalidade certa. E não impede a caracterização do crime, que pode ser demonstrada pelos sinais de alteração da capacidade psicomotora. O resultado frequente é o pior dos dois mundos: a penalidade administrativa da recusa somada à ação penal instruída por outros meios.

Por que esta página devolve uma faixa e não um número

A conta é a mesma em toda calculadora de alcoolemia da internet. Quase todas terminam imprimindo algo como 0,62 g/L — duas casas decimais sobre uma grandeza que ninguém ali mediu. Essa escolha de formatação não é cosmética. Quem lê 0,62 ao lado do patamar de 0,6 g/L tira uma conclusão, e a conclusão está errada, porque o valor real daquela pessoa naquele momento poderia plausivelmente estar em qualquer lugar entre 0,45 e 0,90 g/L.

A incerteza não é defeito de implementação: está na equação. O modelo de Widmark precisa de um fator r, a fração da massa corporal em que o álcool se dilui, e r é uma propriedade da composição corporal que peso e sexo só aproximam. Os valores publicados vão de cerca de 0,55 a 0,82 nos homens e de 0,44 a 0,66 nas mulheres. Como r está no denominador, essa dispersão sozinha move o resultado em quase 50%.

Some a eliminação. O fígado remove por volta de 0,15 g/L por hora, mas o intervalo real entre adultos saudáveis vai de cerca de 0,10 a 0,20 — um fator de dois. Essa incerteza se acumula: importa pouco dez minutos depois da dose e importa muito seis horas depois, que é exatamente por que a banda do gráfico ALARGA conforme a noite passa, em vez de manter largura fixa.

Por isso a ferramenta mostra a banda inteira. As duas bordas saem da mesma equação com os extremos plausíveis dos dois parâmetros. A largura dessa banda é a informação mais útil da página, porque costuma ser maior que a distância entre a estimativa e qualquer patamar legal — que é a razão de uma estimativa não conseguir responder à pergunta que traz as pessoas até aqui.

Widmark, e a parte que quase todo mundo cravou num valor fixo

Erik Widmark publicou o modelo nos anos 1930 e ele continua sendo a base forense:

alcoolemia = A / (r × m) − β × t

A ferramenta calcula em gramas por quilo de sangue, que é a unidade em que Widmark trabalhava, e multiplica por 1,055 — a densidade do sangue total — para chegar a g/L. Esse passo é pulado com frequência suficiente para merecer o aviso: sem ele todo resultado sai cerca de 5% baixo, e baixo é a direção do erro que coloca alguém dentro do carro.

A razão de uma mulher atingir concentração maior que um homem do mesmo peso com a mesma dose está inteira no r. Mulheres têm proporcionalmente mais tecido adiposo e menos água corporal, então a mesma quantidade de álcool se dilui em um volume menor. Não é diferença de tolerância nem de velocidade do fígado: é aritmética sobre onde o álcool vai parar.

A eliminação é uma reta, não uma meia-vida

Este é o erro de modelagem mais comum em calculadora online, e vale ser preciso. A maioria dos medicamentos é eliminada por cinética de primeira ordem: some uma fração constante do que está presente por unidade de tempo, o que produz meia-vida e uma curva exponencial. O álcool não se comporta assim.

A álcool desidrogenase satura em concentrações muito abaixo de qualquer nível que preocupe um motorista. Saturada, ela remove uma quantidade aproximadamente constante por hora, independentemente de quanto está circulando. Isso é cinética de ordem zero, e a parte descendente da curva é uma reta.

A diferença prática é grande e aponta para o lado perigoso. Um modelo exponencial cai rápido no começo e depois achata numa cauda longa que parece "praticamente nada" horas antes de isso ser verdade. A reta continua descendo no mesmo ritmo até cruzar o zero. Quem usa a versão exponencial para decidir quando vai estar limpo decide cedo demais, sempre, e erra mais quanto mais tiver bebido.

A ordem zero também explica algo que soa contraintuitivo: dobrar o que você bebeu dobra aproximadamente o tempo de eliminação. Não existe cauda decrescente. Seis doses não levam um pouco mais que três — levam cerca do dobro.

O pico chega de 30 a 90 minutos depois

Uma calculadora que trata o álcool como instantaneamente presente no sangue e já começa a subtrair eliminação desde o primeiro gole comete dois erros que só em parte se cancelam. Ela superestima o que está circulando logo depois da dose, e subestima o pico, porque já descontou tempo de eliminação que ainda não passou para um álcool que ainda não foi absorvido.

A absorção real passa pelo estômago e pelo intestino delgado e leva tempo. Em jejum, o pico costuma cair de 30 a 45 minutos depois de terminar a dose. Depois de uma refeição completa, o esvaziamento gástrico é mais lento e o pico pode passar dos 90 minutos, chegando mais baixo e mais achatado.

Daí saem duas consequências que importam mais que o número exato. A primeira é que consultar a estimativa logo depois da última dose é consultar um valor que ainda não chegou ao topo — você pode estar lendo uma curva em subida e interpretando como resposta final. A segunda é que comida não retira álcool: ela muda o formato da curva, não a área embaixo dela. As mesmas gramas continuam tendo que ser eliminadas na mesma taxa, e o tempo total até zerar quase não se move.

Gramas de álcool puro, nunca "número de doses"

"Dose padrão" é unidade de saúde pública, não grandeza física, e não tem o mesmo tamanho em lugar nenhum: 14 g nos Estados Unidos, 8 g no Reino Unido, 10 g na Austrália, 20 g no Japão. No Brasil a referência mais usada fica entre 10 e 14 g, sem padronização legal.

Por isso esta calculadora nunca pergunta quantas doses você tomou. Ela pede volume e teor, e converte: gramas = volume (ml) × teor/100 × 0,789, em que 0,789 g/ml é a densidade do etanol. Uma lata de 350 ml a 5% dá 13,8 g. Uma garrafa de 600 ml a 5% dá 23,7 g — quase duas doses americanas em um único recipiente. Uma artesanal de 473 ml a 6,5% dá 24,2 g. Uma dose de 50 ml de destilado a 40% dá 15,8 g, mais que a lata.

É aqui que a autoavaliação erra, e erra sempre para menos. As pessoas contam recipientes. O recipiente vem aumentando e a cerveja vem ficando mais forte há vinte anos.

Nada da lista da internet acelera a eliminação

Café, banho frio, caminhada, exercício, energético, vomitar, comer gordura depois, dormir uma hora. Nenhum deles muda a taxa de eliminação, porque nenhum muda a velocidade das enzimas do fígado.

A cafeína é a ativamente perigosa. Ela aumenta o estado subjetivo de alerta sem tocar no prejuízo objetivo, o que produz uma pessoa mensuravelmente pior ao volante e mensuravelmente mais confiante. A literatura sobre álcool com cafeína é consistente nisso: a percepção do prejuízo cai, o prejuízo não.

Dormir costuma ser tratado como exceção. Não é, no que importa: o fígado trabalha na mesma velocidade acordado ou dormindo, então cinco horas de sono eliminam o mesmo que cinco horas acordado. Não elimina mais rápido. E, sobre o álcool que restar, você agora acumulou privação de sono, que é um prejuízo de direção bem documentado por conta própria.

O que a estimativa não enxerga, com nome e sobrenome

Tudo nesta página roda no seu navegador, como aritmética. Nada é enviado, nada é gravado e não há cadastro. Use a ferramenta para entender por que o número é desconhecível — é para isso que ela serve. Depois chame o carro.

Perguntas frequentes

Posso usar isto para decidir se dirijo?

Não, e isso não é uma ressalva jurídica: é o estado real da ciência. A diferença entre duas pessoas do mesmo peso e sexo, bebendo a mesma coisa, é grande o bastante para que qualquer número único seja chute com cara de medição. Gordura corporal, comida, velocidade de ingestão, medicamentos, doença e genética da ALDH2 mexem no resultado, e nenhum deles é um campo que você consiga preencher com precisão. No Brasil a resposta é ainda mais curta: a Lei Seca é tolerância zero, não existe cota, e se bebeu não dirija.

Existe um limite permitido de álcool para dirigir no Brasil?

Não. O art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro proíbe dirigir sob influência de álcool, sem estabelecer uma quantidade tolerada. Os 0,05 mg/L de ar alveolar que aparecem na Resolução 432 do CONTRAN não são uma cota liberada: são a margem de segurança do etilômetro, existente para proteger o motorista contra erro do equipamento. A partir daí é infração gravíssima. E a partir de 0,3 mg/L de ar ou 0,6 g/L de sangue deixa de ser só infração e passa a ser crime de trânsito, previsto no art. 306.

O que acontece se eu me recusar a soprar o bafômetro?

O art. 165-A do CTB trata a recusa como infração autônoma, com exatamente as mesmas penalidades administrativas do art. 165: infração gravíssima, multa, suspensão do direito de dirigir por doze meses e recolhimento da carteira. Ou seja, recusar não neutraliza a autuação — apenas evita a prova técnica. E o art. 306 pode ser comprovado por outros meios: exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal e os sinais de alteração da capacidade psicomotora anotados pelo agente.

Café, banho frio ou comer depois ajudam a eliminar mais rápido?

Não. A eliminação é feita quase toda por enzimas do fígado que já trabalham perto do máximo, e nada dessa lista muda essa velocidade. Café e banho frio deixam a pessoa mais desperta sem deixá-la menos alcoolizada — o que é pior do que não fazer nada, porque tira justamente a sensação que estava avisando para parar. Comer antes de beber atrasa a absorção e achata o pico, mas a mesma quantidade de álcool continua tendo que ser eliminada na mesma velocidade.

Por que o resultado é uma faixa e não um valor?

Porque a equação de Widmark tem um fator r que depende da composição corporal e não é dedutível do peso e do sexo. Ele varia mais ou menos de 0,55 a 0,82 nos homens e de 0,44 a 0,66 nas mulheres. A taxa de eliminação varia de forma parecida, de cerca de 0,010 a 0,020 ponto percentual por hora. Rodando os extremos pela mesma equação sai a faixa que esta página mostra. Uma calculadora que imprime um valor com duas casas decimais não eliminou essa incerteza: apenas a escondeu.