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Calculadora de Margem e Markup

Informe dois valores entre custo, preço e margem e a ferramenta devolve o terceiro — junto com o markup, o lucro e a comparação que impede a troca de um pelo outro.

Seus números
Margem ou markup calculado
% Escolha o que o seu número é. É aqui que quase todo mundo erra.
Além da margem bruta
Cenários

Resultado

Margem bruta markup ·
O desconto
Se o custo subir

A margem bruta só conhece o custo da mercadoria. Preencha a despesa fixa e o imposto acima para ver o que chega de verdade no caixa.

Margem e markup, lado a lado

Uma porcentagem, duas leituras. A coluna da esquerda é o markup que você precisa aplicar para chegar naquela margem. A da direita é a margem que você realmente tira se aplicar aquele markup.

O númeroComo margem → aplique este markupComo markup → você tira esta margem
10% 11,1% 9,1%
20% 25,0% 16,7%
25% 33,3% 20,0%
30% 42,9% 23,1%
33,3% 50,0% 25,0%
40% 66,7% 28,6%
50% 100,0% 33,3%
60% 150,0% 37,5%
75% 300,0% 42,9%
100% impossível 50,0%

O mesmo lucro dividido por bases diferentes

Margem e markup descrevem exatamente o mesmo real de lucro. A diferença está só em por qual número esse lucro é dividido.

Compre por R$ 60 e venda por R$ 100. O lucro é R$ 40 nos dois casos. Como fração dos R$ 100 que o cliente pagou, isso é 40% de margem. Como fração dos R$ 60 que você pagou, é 66,7% de markup. Nada na operação mudou; mudou a pergunta.

Como o preço é sempre maior que o custo em qualquer venda lucrativa, o denominador da margem é sempre maior — logo o markup é sempre o número maior. É exatamente por isso que trocar um pelo outro é tão perigoso: nada quebra, nenhum aviso aparece, o preço sai da caixa registradora normalmente. Você só vende mais barato do que pretendia, em toda unidade, pelo tempo que o erro durar.

As duas conversões valem a memorização, porque são o assunto inteiro:

Somar o markup e achar que garantiu a margem

O erro chega quase sempre nesta forma. O comprador decide que a loja precisa de 40% de margem. O custo é R$ 60. Ele multiplica por 1,40, chega a R$ 84 e coloca na prateleira.

Esse preço de R$ 84 gera R$ 24 de lucro sobre R$ 84 de receita: 28,6% de margem. O alvo era 40%. Faltam quase doze pontos e não há nada na tela para denunciar isso, porque o número digitado e o número desejado eram ambos "40".

O preço correto para 40% de margem sobre custo de R$ 60 é R$ 100 — markup de 66,7%. A diferença entre R$ 84 e R$ 100 não é arredondamento: são dezesseis reais de lucro por unidade. Num produto que gira mil unidades por mês, são R$ 16 mil mensais indo embora.

O engano funciona na direção contrária também. O distribuidor que promete "50% de markup" está descrevendo 33,3% de margem. O fornecedor que diz "dá para ganhar 100% nesse produto" quer dizer que o preço é o dobro do custo, ou seja, 50% de margem. Sempre que alguém cita uma porcentagem sem dizer sobre qual base ela incide, o número é ambíguo — e a diferença é sempre dinheiro.

Markup divisor, markup multiplicador e o 2,0 do varejo

No comércio brasileiro o termo dominante na prática não é margem, é markup — e quase sempre na forma do markup divisor. A receita é conhecida: some tudo que sai em cima da venda, expresso como percentual do preço (impostos, comissão de vendedor, taxa de cartão, despesa fixa rateada e o lucro pretendido), subtraia de 100% e divida o custo pelo que sobrou.

Um exemplo com números redondos: 10% de imposto efetivo, 5% de comissão, 20% de despesa fixa rateada e 15% de lucro pretendido somam 50%. O divisor é 0,50 e o preço é o custo dividido por 0,50 — o famoso markup multiplicador 2,0, o "preço é o dobro do custo".

Repare no que essa conta é de verdade: uma conta de margem. Todo item da soma está expresso como percentual da VENDA, e dividir o custo por (1 − soma) é literalmente a fórmula da margem. O nome é markup, a álgebra é margem. Quem entendeu isso não erra mais, e quem não entendeu vai um dia somar um percentual de custo — um frete, uma perda de estoque — dentro do divisor e desmontar a planilha inteira sem perceber.

E o multiplicador 2,0 entrega 50% de margem bruta, não 100%. Metade do preço é custo; a outra metade é o que paga imposto, despesa e lucro.

ICMS por dentro: o imposto que já está no preço

Esta é a armadilha que estraga o cálculo de quem não sabe. O ICMS é um imposto por dentro: a base de cálculo é o próprio preço já com o imposto embutido, e não o valor antes dele. A alíquota de 18% não incide sobre o que você quer receber; incide sobre o total da nota.

O teste numérico é curto. Custo de R$ 100 e alíquota de 18%. Somando 18% ao custo, o preço fica R$ 118. O ICMS devido é 18% de R$ 118 = R$ 21,24, e sobram R$ 96,76 — R$ 3,24 a menos do que o custo. O preço correto é R$ 100 ÷ (1 − 0,18) = R$ 121,95, que gera R$ 21,95 de imposto e devolve exatamente os R$ 100.

Ou seja: 18% por dentro equivalem a 21,95% por fora. É a mesmíssima álgebra de margem e markup — 0,18 ÷ (1 − 0,18) — o que não é coincidência: nos dois casos o que se procura é um valor cuja fração de si mesmo é conhecida. Quem entende a conversão margem/markup já entende o gross-up do imposto, e vice-versa.

Vale lembrar que no regime normal o ICMS pago na compra vira crédito e só a diferença é recolhida. Na calculadora, use o campo de imposto sobre faturamento para o percentual efetivo que realmente sai do caixa — o débito menos o crédito, ou a alíquota efetiva do Simples — e não a alíquota nominal cheia, que superestima o peso.

Simples Nacional e substituição tributária na margem real

No Simples Nacional a alíquota efetiva incide sobre o faturamento, não sobre o lucro. Isso tem uma consequência direta e pouco lembrada: cada ponto percentual de alíquota é um ponto percentual de margem, sempre, tenha o mês sido bom ou ruim. Uma empresa comercial com alíquota efetiva de 8% começa o mês com 8 pontos de margem já comprometidos antes de pagar aluguel, folha ou fornecedor.

Use a alíquota efetiva, a que aparece no PGDAS depois da parcela a deduzir — não a alíquota nominal da faixa. A diferença entre as duas chega a vários pontos no início de cada faixa, e usar a nominal produz uma margem líquida artificialmente pessimista que leva a aumentar preço sem necessidade.

A substituição tributária muda a conta de lugar. No regime de ST, o ICMS de toda a cadeia é recolhido antecipadamente pela indústria ou pelo importador, sobre um preço de venda presumido calculado com a MVA (margem de valor agregado) definida pelo estado. Quem revende compra a mercadoria com esse imposto já embutido no custo e vende sem destacar ICMS.

O efeito prático é que o imposto migra da linha de imposto para a linha de CMV. O custo fica maior, a alíquota sobre a venda fica menor, e as duas coisas se compensam de forma imperfeita e diferente para cada produto. Daí a consequência que quebra planilha: em uma loja com catálogo misto, aplicar o mesmo markup em um item com ST e em outro sem ST entrega margens líquidas diferentes. Produtos com ST precisam do custo entrando já com o imposto embutido e do campo de imposto sobre faturamento reduzido; do contrário o imposto é contado duas vezes e o preço sai alto demais para competir.

Margem de contribuição não é margem bruta

São conceitos parecidos que respondem perguntas diferentes, e trocá-los é o erro seguinte na fila depois de trocar margem por markup.

A margem de contribuição é a que serve para decisão operacional, porque é ela que entra no ponto de equilíbrio: custo fixo dividido pela margem de contribuição unitária dá quantas unidades você precisa vender para não ter prejuízo. Também é ela que responde se vale aceitar um pedido grande com preço menor — se a margem de contribuição continua positiva, aquele pedido ajuda a pagar a despesa fixa que você teria de qualquer jeito.

A distância entre as três é onde empresa quebra em silêncio. 40% de margem bruta soa confortável; com 30% de despesa operacional sobre a receita e 6% de imposto, a margem líquida é 4% — e um único ponto de margem bruta perdido em desconto leva um quarto do lucro junto. Preencha os campos de despesa e imposto na calculadora com os seus números reais e o resultado bruto deixa de ser tranquilizador. É esse o objetivo.

Desconto: 10% no preço não custa 10% do lucro

Desconto parece sair da receita. Ele sai do lucro, e o lucro é um bolo muito menor.

Um produto a R$ 100 com custo de R$ 70 tem 30% de margem e R$ 30 de lucro. Dê 10% de desconto: o preço cai para R$ 90, o custo continua R$ 70 e o lucro vira R$ 20. Você deu 10% do preço e um terço do lucro. A regra geral é que a fração de lucro perdida é o desconto dividido pela margem — por isso o mesmo desconto de 10% é administrável numa margem de 60% e fatal numa de 12%.

O volume necessário para compensar é a parte que assusta. Para fechar o mês com os mesmos R$ 30 de lucro ganhando R$ 20 por unidade, é preciso vender 50% a mais — não 10% a mais. E essas unidades extras trazem seus próprios custos de separação, embalagem, frete e atendimento, então o volume real de equilíbrio é ainda maior.

Existe também um teto rígido: quando o desconto iguala a margem, o lucro é exatamente zero, e cada unidade além disso é prejuízo financiado por você. Com 30% de margem, 30% de desconto é o piso absoluto. É por isso que "25% em tudo" é perigoso num catálogo misto: nos itens de margem alta custa uma fatia do lucro, nos de margem fina vende abaixo do custo.

Quando o custo sobe, repasse percentual, não reais

O fornecedor sobe o custo de R$ 60 para R$ 66. O impulso é somar R$ 6 ao preço e seguir a vida. Isso preserva o lucro por unidade — continuam R$ 40 — mas derruba a margem de 40% para 37,7%, e não resolve o fato de que agora há R$ 6 a mais de capital de giro parado em cada unidade no estoque.

Para manter a margem, o preço precisa subir na mesma porcentagem do custo. Como preço = custo ÷ (1 − margem), o preço é um múltiplo fixo do custo: custo +10% exige preço +10%, de R$ 100 para R$ 110, qualquer que seja a margem. A calculadora resolve isso diretamente e mostra também o outro cenário — segurando o preço em R$ 100 com custo de R$ 66, a margem cai para 34%, seis pontos perdidos.

Seis pontos parecem pouco até serem comparados com a margem líquida. Um varejista que trabalha com 6% de margem líquida e absorve seis pontos de margem bruta não perdeu uma parte do lucro: perdeu o lucro inteiro.

Margem de 100% não existe

Margem de 100% significaria lucro igual ao preço inteiro, o que exige custo zero. Acima de 100% é pior: exige custo negativo, um fornecedor que paga para você levar a mercadoria.

Não é preciosismo, porque a aritmética realmente quebra. O preço é calculado como custo ÷ (1 − margem), então margem de 100% é divisão por zero. Calculadora que não confere isso devolve infinito ou campo vazio, e quem está usando conclui que a ferramenta está com defeito em vez de concluir que o pedido é impossível. Esta aqui recusa a entrada e explica: se você está buscando um número acima de 100%, está pensando em markup.

O markup não tem teto nenhum. Markup de 100% é vender pelo dobro do custo, coisa corriqueira. Vestuário trabalha rotineiramente com 100% a 150%. Carta de vinhos em restaurante passa de 300%. Óculos de grau vai além de 1.000%. Todos são markups normais e nenhum é possível como margem — o que vale lembrar na próxima manchete sobre "margem de 800%" em alguma coisa.

Privacidade

Todos os números ficam no seu navegador. Nada é enviado, nada é registrado e não existe cadastro. Isso pesa mais aqui do que na maioria das calculadoras, porque o que você digita é o preço do seu fornecedor, o seu custo real e a margem que você não colaria num formulário de um site desconhecido.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre margem e markup?

Os dois dividem o mesmo lucro por bases diferentes. A margem divide o lucro pelo PREÇO DE VENDA; o markup divide o lucro pelo CUSTO. Comprando por R$ 60 e vendendo por R$ 100, o lucro de R$ 40 é uma margem de 40% e um markup de 66,7%. Nenhum dos dois está errado — eles respondem perguntas diferentes. A margem diz quanto do dinheiro do cliente fica com você; o markup diz quanto você acrescentou sobre o que pagou. Como o preço é sempre maior que o custo, o markup é sempre o número maior.

Quero 40% de margem. Que markup eu aplico?

66,7%. A fórmula é markup = margem ÷ (1 − margem), ou seja 0,40 ÷ 0,60. Quem aplica 40% de markup sobre um custo de R$ 60 chega a R$ 84, o que entrega 28,6% de margem — quase doze pontos abaixo do alvo, e ninguém percebe, porque o número digitado e o número desejado eram os mesmos 40. É o erro de precificação mais comum do varejo brasileiro.

O que é markup divisor e markup multiplicador?

São o mesmo cálculo em duas formas. O divisor é 1 menos a soma de tudo que sai em cima da venda — impostos, comissão, despesa fixa rateada e o lucro pretendido, todos como percentual do preço. O preço é o custo dividido por esse número. O multiplicador é simplesmente 1 dividido pelo divisor: com divisor 0,50 o multiplicador é 2,0, o famoso 'preço é o dobro do custo'. Repare que o divisor é uma conta de MARGEM disfarçada de markup: tudo ali está expresso como percentual da venda, não do custo.

Por que o ICMS por dentro atrapalha o cálculo da margem?

Porque a base de cálculo do ICMS é o próprio preço já com o imposto embutido, e não o preço antes dele. Com alíquota de 18%, somar 18% ao custo não cobre o imposto: sobre um custo de R$ 100, o preço de R$ 118 gera ICMS de R$ 21,24 e devolve só R$ 96,76 — R$ 3,24 a menos que o custo. O preço correto é R$ 100 ÷ 0,82 = R$ 121,95, que gera R$ 21,95 de imposto e preserva os R$ 100. É a mesma álgebra da margem: 18% por dentro equivalem a 21,95% por fora.

O Simples Nacional entra na margem bruta ou na líquida?

No Simples a alíquota efetiva incide sobre o faturamento, não sobre o lucro, então ela se comporta como uma redução direta da margem: 6% de alíquota efetiva consomem 6 pontos percentuais da margem, sempre, independentemente de o mês ter sido bom ou ruim. Por isso ela deve entrar na margem de contribuição e na margem líquida — não na bruta, que só conhece o custo da mercadoria. Preencha o campo de imposto sobre faturamento na calculadora com a sua alíquota efetiva, aquela que sai do PGDAS, e não com a alíquota nominal da faixa.

Como a substituição tributária muda a conta?

Na substituição tributária o ICMS da cadeia inteira é recolhido lá atrás, pela indústria ou pelo importador, sobre um preço presumido calculado com MVA. Quem revende compra a mercadoria com o imposto já dentro do custo e vende sem destacar ICMS. O efeito prático é que o imposto migra da linha de imposto para a linha de CMV: o custo fica maior e a alíquota sobre a venda fica menor. Aplicar o mesmo markup em um produto com ST e em outro sem ST entrega margens diferentes, e é por isso que planilha com markup único quebra em loja de catálogo misto.

Margem de 100% existe?

Não. A margem é o lucro como fração do preço de venda, e o lucro nunca pode ser maior que o próprio preço — isso exigiria custo negativo, um fornecedor que paga para você levar a mercadoria. Margem de exatamente 100% significa custo zero. Markup de 100%, ao contrário, é trivial: é vender pelo dobro do custo, o que dá 50% de margem. Quando alguém anuncia 'margem de 300%', está falando de markup.

Meus números são enviados para algum servidor?

Não. Tudo é aritmética rodando no seu navegador. Nada é enviado, nada é gravado e não existe cadastro — o que importa mais aqui do que em outras calculadoras, porque o que você digita é o custo real do seu fornecedor e a sua política de preço.