A área da planta não é a área do telhado
A projeção em planta é a sombra do telhado ao meio-dia. A telha cobre a superfície inclinada, que é sempre maior. A relação entre as duas é Pitágoras puro: para cada metro que se avança na horizontal também se sobe a inclinação, e a água do telhado percorre a hipotenusa desse triângulo, não a base.
A razão entre as duas áreas é o fator de inclinação:
√(1 + inclinação²), com a inclinação escrita como fração — 30% entra
como 0,30. É o número que transforma planta em telhado, e é justamente o que a
maioria das estimativas rápidas esquece.
| Inclinação | Ângulo | Notação EUA | Fator | Material a mais |
|---|---|---|---|---|
| 5% | 2,86° | 0,6:12 | 1,0012 | +0,1% |
| 10% | 5,71° | 1,2:12 | 1,0050 | +0,5% |
| 17% | 9,65° | 2:12 | 1,0143 | +1,4% |
| 25% | 14,04° | 3:12 | 1,0308 | +3,1% |
| 30% | 16,70° | 3,6:12 | 1,0440 | +4,4% |
| 35% | 19,29° | 4,2:12 | 1,0595 | +6,0% |
| 40% | 21,80° | 4,8:12 | 1,0770 | +7,7% |
| 50% | 26,57° | 6:12 | 1,1180 | +11,8% |
| 100% | 45,00° | 12:12 | 1,4142 | +41,4% |
Repare na primeira coluna contra a segunda: 30% não é 30°. Trinta por cento são 16,7°, e trinta graus são 57,7% de inclinação. Confundir os dois quase dobra a inclinação e joga o material para 15% acima do correto — ou, na direção contrária, especifica uma telha cerâmica numa inclinação em que ela vaza. A ferramenta mostra a inclinação nas três notações ao mesmo tempo, e trocar de notação reescreve o mesmo ângulo em vez de trocar só o rótulo.
E some o beiral antes de multiplicar. Uma casa de 12 × 8 m tem 96 m² de área construída, mas com 80 cm de beiral em todo o perímetro a projeção do telhado é de 13,6 × 9,6 m, ou 130,6 m². São 36% a mais de área, e o beiral é a parte que mais se esquece porque não está na planta baixa dos ambientes.
Inclinação mínima por tipo de telha
Toda telha tem uma inclinação abaixo da qual a água entra. Não é questão de estética: em inclinação baixa a água escoa devagar, o vento empurra a chuva lateralmente e ela sobe por capilaridade pelo recobrimento. Os valores abaixo são os mínimos usuais de fabricante no mercado brasileiro:
| Telha | Mínimo | Recomendado | Peças/m² |
|---|---|---|---|
| Colonial / capa e canal | 30% | 35% | 24 – 26 |
| Portuguesa | 30% | 35% | 16 – 17 |
| Romana | 30% | 35% | 16 |
| Francesa (marselha) | 35% | 40% | 15 – 17 |
| Americana | 30% | 35% | 12 – 13 |
| Concreto | 30% | 35% | 10 – 11 |
| Fibrocimento ondulada 6 mm | 5% | 10% | 0,45 (2,2 m² útil/peça) |
| Metálica trapezoidal | 5% | 10% | por m² |
| Sanduíche (miolo de EPS) | 5% | 10% | por m² |
| Shingle asfáltico | 17% | 30% | fardo de ≈ 3,1 m² |
A ABNT NBR 15575-5 trata do desempenho do sistema de cobertura — estanqueidade, durabilidade, desempenho térmico — e remete ao projeto e à ficha técnica do fabricante para a inclinação. A NBR 8039 é específica de telhado com telha cerâmica tipo francesa. Ou seja: o número mínimo vem da telha que você comprou, e é por isso que os campos aqui são editáveis em vez de cravados no código. A ferramenta avisa quando a combinação escolhida é incompatível, e avisa acima do orçamento, porque orçamento certo do material errado continua sendo um telhado que goteja.
Uma observação sobre telha de fibrocimento: o mínimo de 5% vale para peças curtas com o recobrimento longitudinal cheio. Telha longa, ou recobrimento reduzido para economizar, exige mais inclinação. E telha ondulada assentada em inclinação alta demais também dá problema — acima de uns 30% ela precisa de fixação reforçada contra escorregamento.
Cumeeira, espigão, rincão e rufo são metro linear
Este é o ponto em que o orçamento vaza. A telha é item de área; quase todo o resto do telhado é medido, cotado e comprado em metro linear, e não escala com a área. Aumentando os dois lados de um telhado até dobrar a área, a cumeeira cresce só 41%.
O vocabulário importa aqui, porque cada aresta é um item de compra diferente:
- Água — cada plano inclinado do telhado. Um telhado de quatro águas tem quatro planos.
- Cumeeira — a aresta horizontal no alto, onde duas águas se encontram por cima. Leva peça própria, cerca de 3 por metro na cerâmica.
- Espigão — a aresta inclinada que desce de um canto, no telhado de quatro águas. Leva a mesma peça da cumeeira e obriga a cortar telha nos dois lados.
- Rincão ou água furtada — a aresta em vale, onde duas águas se encontram por baixo. Leva calha metálica embaixo das telhas e é o ponto que mais vaza num telhado mal executado.
- Beiral — a borda baixa, onde a água sai. Recebe calha e pingadeira.
- Oitão — a empena triangular da parede na ponta de um telhado de duas águas; a borda inclinada do telhado sobre ela é a água-mestra, e recebe rufo.
- Tacaniça — a água triangular que fecha a ponta de um telhado de quatro águas, em vez do oitão.
Como esta ferramenta monta o telhado como um sólido de verdade, e não como um número de área, todos esses comprimentos saem da mesma geometria: são as arestas do modelo, e aparecem separadas na saída. Repare que a cumeeira e o beiral não mudam quando você muda a inclinação, enquanto o espigão, o rincão e a água-mestra mudam — porque esses sobem, e quem sobe fica mais comprido. Não é arredondamento: é o que os torna grandezas diferentes.
A perda de corte muda com a forma do telhado
O conselho padrão é "some 10%", e ele está certo para exatamente uma forma: duas águas retangulares, onde só se corta a primeira e a última fiada.
- Meia-água, um plano só — cerca de 8%. Praticamente não há o que cortar além das bordas.
- Duas águas — cerca de 10%. É o caso que originou a regra de bolso.
- Quatro águas — cerca de 15%. Toda fiada que chega num espigão é cortada em diagonal, e a sobra de um lado raramente serve no outro.
- Com rincão — 15% a 20%. O rincão corta as duas águas que chegam nele, e a sobra fica com o ângulo errado para reaproveitar.
- Chaminé, lanternim, claraboia — cerca de um ponto cada.
Vale acrescentar um detalhe brasileiro: a quebra no transporte e no manuseio da telha cerâmica é real e não entra na conta de corte. Telha cerâmica descarregada à mão, içada e caminhada por cima quebra entre 3% e 5% além do corte, e telha de segunda linha quebra mais. Se o fornecedor não repõe quebra, some isso à perda.
Madeiramento: caibro, terça e ripa
No telhado brasileiro tradicional a telha é a camada visível de um sistema com três níveis de madeira. A terça é a viga horizontal que se apoia nas tesouras ou nas paredes e vence o vão maior — seção típica de 6 × 12 cm, com apoios a cada 1,50 a 2,50 m. O caibro corre no sentido da inclinação, apoiado nas terças, tipicamente 5 × 6 cm ou 5 × 7 cm a cada 40 a 50 cm. A ripa, de 1,5 × 5 cm, é pregada por cima dos caibros no espaçamento chamado galga, que é ditado pela telha: cerca de 32 cm na portuguesa, 36 cm na francesa.
A galga define quantas ripas por metro de água, e portanto quanto de ripa comprar: uma água de 5 m de comprimento na linha de maior declive, com galga de 32 cm, leva 16 fiadas de ripa. É conta simples e mesmo assim some de quase todo orçamento amador.
Nada disso é dimensionamento estrutural. Vão, espécie e classe da madeira, sobrecarga de vento e a própria carga da telha molhada mudam as seções, e madeiramento subdimensionado é o defeito mais caro de corrigir num telhado, porque exige desmontá-lo inteiro. A ferramenta traz uma linha de custo de madeiramento por m² para o orçamento, e nada além disso — o dimensionamento é projeto.
Subcobertura e manta: o rolo cobre menos do que mede
Manta aluminizada, subcobertura de PEAD e manta asfáltica têm todas transpasse. Uma bobina de 50 m² com 10 cm de sobreposição cobre perto de 45 m² de telhado. Dividir a área do telhado pela metragem impressa na bobina compra rolo de menos, e a falta aparece no fim do serviço. A ferramenta desconta a sobreposição antes de dividir, e tanto a metragem quanto a porcentagem de transpasse continuam editáveis.
Vale distinguir para que serve cada uma. A manta aluminizada é barreira de radiação: ela reduz o calor que a telha irradia para o forro, e só funciona se houver câmara de ar de um dos lados dela. A subcobertura de PEAD é barreira de água e vento, para telhado em inclinação baixa ou região de chuva com vento forte. A manta asfáltica é impermeabilização de laje, não subcobertura de telhado, e é outro serviço com outro preço.
Laje impermeabilizada e cobertura de baixa inclinação
Cobertura em laje impermeabilizada, sem telha, é comum no Brasil e é um problema diferente: não se compra telha, compra-se manta asfáltica ou impermeabilizante acrílico, e a variável crítica passa a ser o caimento para os ralos — 1% de caimento é o mínimo praticado, e água empoçada é o que mata qualquer impermeabilização.
Nesse caso a área a impermeabilizar é praticamente a área da planta, porque em 1% de caimento o fator de inclinação é 1,00005 — ou seja, irrelevante. É o único caso em que ignorar a inclinação não causa erro. Mas some os rodapés: a manta sobe 20 a 30 cm em todo o perímetro e nas platibandas, e essa faixa vertical é área de manta que não aparece na planta.
Peso da telha e o que a estrutura aguenta
Trocar fibrocimento por cerâmica não é uma decisão estética. Telha ondulada de fibrocimento de 6 mm pesa cerca de 18 kg/m²; telha cerâmica pesa de 40 a 55 kg/m² seca e mais que isso encharcada; telha de concreto chega perto de 50 kg/m². É de duas a três vezes mais carga permanente sobre a mesma estrutura.
A NBR 6120 traz os pesos específicos para o cálculo estrutural, e a ferramenta mostra o peso total que a cobertura escolhida coloca sobre o madeiramento justamente para que essa conversa aconteça antes da compra. Trocar telha para cima em peso sem revisar a estrutura é a origem de boa parte dos telhados que "afundam" na cumeeira anos depois.
Mão de obra, remoção e o que costuma faltar no orçamento
Material é a menor metade de uma reforma de telhado. Ordens de grandeza no Brasil, todas editáveis na ferramenta:
- Assentamento: de R$ 45 a R$ 80 por m² de telhado, mais caro em inclinação alta e em sobrado.
- Madeiramento novo: de R$ 80 a R$ 140 por m², dependendo da espécie e do vão.
- Remoção do telhado velho: de R$ 20 a R$ 35 por m², mais a caçamba. Telha cerâmica velha é pesada: 100 m² de telhado dão perto de 5 toneladas de entulho.
- Calha, rufo e condutor: item de metro linear, em chapa galvanizada ou alumínio, e costuma ficar de fora da primeira cotação.
- Andaime e proteção: obrigatório em sobrado, e some do orçamento com a mesma frequência com que aparece na nota final.
Tudo que atrasa a equipe aumenta a mão de obra sem mexer no material: inclinação alta exige linha de vida e andaime, telhado com seis rincões é quase só corte, e obra em casa habitada rende menos por dia. É por isso que dois orçamentos para os mesmos 130 m² podem diferir em milhares de reais e os dois estarem corretos.
O que esta ferramenta não faz
- Dimensionar estrutura. Ela informa o peso que a telha acrescenta; seção de terça e caibro é cálculo com norma, espécie e vão.
- Calcular calha e condutor. O dimensionamento pluvial depende da intensidade de chuva da cidade e da área de contribuição, e é outra conta.
- Ventilação e conforto térmico. Ático ventilado, manta e forro mudam a temperatura interna muito mais do que a telha, e isso é problema de resistência térmica, não de quantitativo.
- Ancoragem contra vento. Amarração de telha em beiral e cumeeira, obrigatória em região de vento forte e em telha leve, é detalhe de projeto.
- Telhados irregulares. Água em nível diferente, lanternim, torre, ala em inclinação diferente da do corpo: divida o telhado em partes, rode uma por vez e some.
Tudo roda no seu navegador
Todos os números são aritmética calculada localmente. Nada é enviado, nada fica salvo, não há cadastro e não há limite. A geometria e o quantitativo moram num módulo separado, conferido fora do navegador contra contas feitas à mão — inclusive os casos exatos, em que 12:12 tem de devolver √2 — e o desenho da planta é gerado pelo mesmo modelo que produz os números, de forma que o desenho e o orçamento não têm como discordar.
Perguntas frequentes
Como calcular a área real do telhado a partir da planta?
Multiplique a área de projeção pelo fator de inclinação, que é a raiz de (1 + inclinação²). Numa inclinação de 30% o fator é 1,0440, ou seja, o telhado tem 4,4% mais área que a planta. A 35% são 5,95%; a 50% (que é 6:12) são 11,8%. A conta sai de Pitágoras: o avanço horizontal é um cateto, a subida é o outro, e a água do telhado é a hipotenusa. E lembre de somar o beiral na projeção antes de multiplicar — uma casa de 12 × 8 m com 80 cm de beiral tem projeção de 13,6 × 9,6 m, que são 130,6 m² e não 96 m².
Quantas telhas por metro quadrado?
Depende do modelo, e a diferença é grande: colonial ou capa-canal fica entre 24 e 26 peças por m², portuguesa e romana em torno de 16, francesa (marselha) entre 15 e 17, americana entre 12 e 13, e telha de concreto entre 10 e 11. Telha ondulada de fibrocimento de 2,44 × 1,10 m tem área útil de cerca de 2,2 m² por peça depois de descontar o recobrimento lateral e o longitudinal. Todo esse número muda de fabricante para fabricante, então confira na ficha técnica antes de fechar a compra — o campo na ferramenta é editável exatamente por isso.
Qual a inclinação mínima da telha cerâmica?
Para telha portuguesa, romana e colonial os fabricantes trabalham com 30% de inclinação mínima, e a francesa (marselha) pede 35%. Fibrocimento ondulado aceita 5% em telhas curtas, com 10% recomendado, e a telha metálica trapezoidal também parte de 5%. Shingle asfáltico brasileiro tem mínimo de 17%. A NBR 15575-5 estabelece requisitos de desempenho para a cobertura e remete ao projeto e à ficha do fabricante; a NBR 8039 trata especificamente do telhado com telha cerâmica tipo francesa. Abaixo do mínimo a água não escorre rápido o bastante, o vento empurra a chuva para trás do recobrimento e o telhado passa a vazar em temporal, não em chuva fina.
Como calcular a cumeeira e o espigão?
Por metro linear, nunca por área — e é aqui que a maioria dos orçamentos falha. A cumeeira é a aresta horizontal no alto do telhado; o espigão é a aresta inclinada que desce do canto num telhado de quatro águas; o rincão, ou água furtada, é a aresta em vale onde duas águas se encontram. Cumeeira cerâmica leva cerca de 3 peças por metro. Dobrar a área do telhado não dobra a cumeeira: se você dobra a área aumentando os dois lados, a cumeeira cresce apenas 41%. A ferramenta monta o telhado em três dimensões e devolve cada uma dessas arestas separada, com o comprimento e o número de peças.
Qual o espaçamento de caibro, terça e ripa?
Caibro de 5 × 6 cm ou 5 × 7 cm costuma ir a cada 40 a 50 cm; a terça, de 6 × 12 cm, vence vãos de 1,50 a 2,50 m conforme a seção e a espécie da madeira; e a ripa de 1,5 × 5 cm é pregada no espaçamento chamado galga, que é ditado pela telha — cerca de 32 cm para portuguesa e 36 cm para francesa. Esses valores são prática corrente, não dimensionamento: vão, sobrecarga de vento, espécie e classe da madeira mudam tudo, e cobertura em telha cerâmica com estrutura subdimensionada é o defeito mais caro de consertar, porque exige desmontar o telhado inteiro.
Quanto custa o metro quadrado de telhado?
Em telha cerâmica sobre madeiramento novo, a ordem de grandeza é R$ 200 a R$ 380 por m² de telhado pronto no Brasil, e a telha costuma ser a menor parte disso. O madeiramento sozinho fica entre R$ 80 e R$ 140 por m², a mão de obra de assentamento entre R$ 45 e R$ 80 por m², e a remoção do telhado velho com caçamba pode passar de R$ 30 por m². Preço varia muito por região e por espécie de madeira, e por isso cada linha da ferramenta é um campo editável — cole os números do seu orçamento e veja qual parcela é material e qual é serviço.